
Há uma novela no cinema nacional (sem trocadilhos) que dura desde a década de 1980. A polêmica envolve Amor Estranho Amor, filme de 1982 em que Xuxa Meneghel, então uma modelo aspirante a atriz, aparece nua e tem uma cena de sexo com um garoto. O filme não é propriamente erótico; é, na verdade, um drama (ainda que com forte conteúdo sensual) dirigido por Walter Hugo Khouri e seus protagonistas são Ver Fisher e Tarcísio Meira; foi sucesso de público no seu lançamento (1,16 milhão de espectadores) e só voltou à mídia quando a apresentadora resolveu tirá-lo de circulação.
Xuxa impediu que Amor Estranho Amor fosse lançado em VHS no início dos anos 90 (várias cópias, aliás, foram recolhidas das locadoras de vídeo), argumentando que seu contrato previa apenas a exibição nos cinemas -- antes do filme, as fotos da apresentadora para a Playboy também tinham sido recolhidas dos arquivos da revista. Após uma batalha com o produtor do título, Aníbal Massaíni Neto, as partes se acertaram: Xuxa ficaria com os direitos de uso e Aníbal receberia anualmente uma quantia fixada em 60 mil dólares.
O acerto durou de 1992 a 2009 e o produtor recebeu durante este período a sua “mesada” (que ultrapassou a soma de um milhão de dólares, pelos meus cálculos). Após o fim do acordo, Aníbal ficou quieto e espertamente deixou o tempo passar para retomar os direitos sobre o filme. Atualmente, corre processo na Justiça do Rio de Janeiro no qual Massaíni pede a retomada da propriedade. Uma audiência conciliatória entre ele e os representantes de Xuxa deve acontecer em breve. Ele pode topar uma renovação do contrato, mas afirmou querer relançar a obra.
Dispensável, Sr. Massaíni. Nada mais fácil do que baixar o filme na internet -- coisa que Xuxa não conseguiu impedir. Aliás, se ela não tivesse criado este alarde, é bem provável que ninguém mais recordasse da sua participação na obra. Hoje, está espalhada a crença de que Amor Estranho Amoré um filme pornográfico e que Xuxa (que contracena com um menino de 12 anos) seria uma pedófila. Se o filme fosse de livre acesso, este equívoco não aconteceria ou seria diminuído.
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